em Direto da CPI

O sistema de transporte do Rio é um conchavo mafioso entre empresários de ônibus e a quadrilha do PMDB – uma verdadeira máquina de roubar dinheiro da população pra enriquecer meia dúzia. O líder dessa máfia? Eduardo Paes. Assim concluiu o relatório alternativo apresentado pelo mandato Tarcísio Motta no plenário da Câmara dos Vereadores na manhã desta sexta-feira, 20, quando foram levantados os principais problemas no atual modelo de transportes – um modelo viciado, caro, ineficiente, mafioso e que precisa urgentemente ser interrompido.

Estiveram presentes técnicos, pesquisadores, trabalhadores rodoviários, ativistas de mobilidade urbana, usuários de ônibus e parlamentares. Eliomar Coelho, deputado estadual do PSOL, proponente da CPI dos Ônibus em 2013 e hoje, presidente da CPI dos Transportes na Alerj, levantou a escalação do time de poder que manda no Rio. No núcleo econômico, as empreiteiras. No administrativo, o alto escalão da administração pública. No operacional, os doleiros. No núcleo político, o PMDB.

Para Jorge Martins, professor da UFRJ e perito da CPI dos Ônibus, “o sobre lucro das empresas empresas de ônibus não apareça, ele é transformado em aluguel de garagens que são de propriedade dos próprios empresários de ônibus”. Martins acompanhou os trabalhos da CPI e produziu relatório técnico que pode ser baixado aqui.

Segundo o vereador do PSOL e membro titular da CPI dos Ônibus, Tarcísio Motta, o indiciamento do ex-prefeito Eduardo Paes se deus, pois ele foi responsável pelas decisões políticas que deixaram o sistema de transporte público refém dos interesses dos empresários de ônibus. Para Motta, os depoimentos dados à CPI apontam que foi Paes quem permitiu que recursos da bilhetagem eletrônica (controle do fluxo de caixa e de passageiros) fossem administrados e retidos pelas empresas de ônibus que também controlam o sistema. E isso, de forma pouco transparente. O líder do PSOL na Câmara acrescentou que parte dessa verba, segundo delator da operação Lava Jato, foi em forma de caixa dois para a campanha do ex-prefeito.

Clarise Linke, do Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento, afirmou que os dados enviados pelas empresas as auditorias são impossíveis de serem analisados, prejudicando qualquer cálculo sobre o real valor das passagens. Revelando assim, conivência do poder público com a falta de transparência dos consórcios. Corroborando com a tese, Rosangela Luft, professora de direito administrativo da UFRJ, acredita que “muitas vezes se utiliza do discurso técnico para se neutralizar o caráter político dos serviços de transporte público. Não é possível deixar com as empresas a gestão exclusiva desse serviço”, completou.

O relatório alternativo indicou aos Ministérios Públicos Estadual e Federal o indiciamento de Paes, do seu ex-secretário de Transporte Alexandre Sansão e do deputado estadual Rafael Picciani (PMDB), além dos subsecretários da SMTR Antônio Jofre e Hélio Borges de Farias. Ao mesmo tempo, foi recomendado o indiciamento de empresários da Intersul, Internorte, Santa Cruz e Transcarioca.

Abaixo, assista à íntegra da apresentação:

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